segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Palavras Gilberto Gil

Na verdade, encontrei uma espécie de similitude entre o Cangaceiro e o Rastamen. Ambos causando-me a mesma impressão de estranheza, beleza e grandeza em seus processos/projetos de vida.


O Cangaceiro: Estrelas de David ornando seu chapéu exótico, mal encobrindo cabelos longos e crespos, sua roupa de campanha, cartucheiras em cruz sobre o peito, os pés calçando pregatas de rabicho, as mãos armadas com fuzil para a luta pela liberdade e a justiça.


O Rastamen: as mesmas estrelas de David, o Leão de Judá, sua juba em dreadslocks descobrindo, enfatizando cabelos também longos e crespos, sua roupa de campanha, a comida vegetariana, a maconha nos lábios, numa língua cheia de novos signos, um discurso, arma para a luta também pela liberdade e a justiça.


Para um artista, músico como eu, o foco obviamente recairia sobre a música que se liga e se refere a ambos, o Cangaceiro e o Rastamen, e os associa, direta ou indiretamente, a dois dos maiores artistas da música popular do século que passou.

Dois mestiços, em todos os sentidos, dois dos meus maiores ídolos: Luiz Gonzaga e Bob Marley.


Gonzaga: Um cangaceiro implícito, idílico.

Marley: Um rastamen explícito, real.


Para mim, é uma grata coincidência que o meu tributo aos dois viesse em trabalhos subsequentes.

Depois de canções de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, aqui estamos com as canções de Bob Marley, O Rei do Reggae!

Gilberto Gil


(Encarte do seu CD KAYAGANDAYA)

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