segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Reflexão


Há amores não realizados
que deixaram olhares de meses
e beijos não dados
que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra,
mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres,
apesar do calendário nos mostrar que ficaram por anos em nossas agendas.
E há casamentos que, ao olhar para trás,
mal preenchem os feriados da folhinha.
Há tristezas que nos paralisaram por meses,
mas que hoje, passados os dias difíceis,
mal guardamos lembrança de horas.
Há eventos que marcaram e que duram para sempre:
o nascimento do filho, a morte da avó,
a viagem inesquecível, o êxtase do sonho realizado.
Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes
e, na maioria das vezes, o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje,
como há percurso que nem me lembro de ter feito,
tão feliz estava eu na ocasião.
O relógio do coração hoje descubro,
bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram
e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio,
velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito,
ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças do que viveu.
Pense nisso.
E consulte sempre o relógio do coração:
ele lhe mostrará o verdadeiro tempo do mundo.


[Autoria: Alexandre Pelegi.]
 
 
 
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho
a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente
e diria que o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo do que gosta
devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado
por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo
que, infelizmente, nunca mais voltará."


[Autoria: Mário Quintana - "O tempo".]


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