segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PORTFÓLIO TCC- Técnico Estilismo e Moda- PARTE 5

PORTFÓLIO CAP.4

Nicolas Krassik

Dentre as pesquisas que fundamentam a minha coleção, é com prazer que incluo a história do músico francês Nicolas Krassik, como prova de que a cultura brasileira não apenas recebe influências: ela faz com que outros costumes cedam aos seus encantos, sendo fonte de inspiração para grandes artistas e transformando a vida de quem a sorrir.

Nicolas expõe com muita receptividade, acolhimento e interesse, o seu trabalho, sua carreira e esta “paixão” por nossa música.

Trajetória

Ele tinha tudo para jamais conhecer a música brasileira. Ou pelo menos não se empolgar com ela. Nasceu em Paris. Estudou por quase 15 anos no Conservatoire National de Region d´Aubervilliers-la Courneuve, onde se formou em violino clássico. Aos 20 anos passou mais um ano no Centre de Formation Musicale de Paris, estudando jazz. Sua vontade era tocar mesmo rock e funk no violino.

Mas a sua relação com a música brasileira começou muito cedo, de várias maneiras. Em casa seu pai tinha discos do Villa Lobos. Mais tarde, quando começou a tocar jazz, conheceu o guitarrista que era fã do João Bosco e Dominguinhos. E para que viciasse de uma vez, foi em um bar que tinha músicos que embalavam nossos gingados; lá aprendeu a dançar, também entrou em uma academia de capoeira e assim vivia dividido entre o jazz e a música brasileira.

Já muito bem ambientando com os tais ritmos, Aos 31 anos de idade se mudou para o Brasil para resolver seu “problema” com a música brasileira. Ia passar seis meses, mas já mora no Rio de Janeiro há oito anos. E desta mudança, resultaram em três discos:


Na Lapa (2004)

É produto do encontro do jazz com a música brasileira e traz uma mistura frenética de ritmos brasileiros, tocando sambas, choros e forró em levadas dançantes. Contou no disco com as participações especiais de João Bosco, Beth Carvalho, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Daniela Spielmann, Chico Chagas, Samuel De Oliveira, Gabriel Grossi, Henrique Cazes, entre outros.


Caçuá (2006)

Seu segundo CD, segue o caldeirão brasileiro e reúne gêneros como choro, samba, baião e xote, com arranjos que destacam a sonoridade do quarteto liderado por Nicolas e conta também com Nando Duarte (Violão de 7 cordas), João Hermeto (Percussão) e Fábio Luna (Bateria).


Nicolas Krassik e Cordestinos

Último CD onde em várias passagens, jazz e forró ficam muito próximos e que o músico atinge uma síntese dos gêneros. É uma verdadeira aventura de sons e de unicidade. Faz muito bem à música brasileira ao reintroduzir o violino, um instrumento muito delicado e melindroso.

É um verdadeiro passeio de sabedor pelos estilos da nossa música. Krassik toca seu violino com a segurança de quem muito bem conhece o instrumento e dele tira sonoridades que dão novas cores ao choro ou à música nordestina. Fica evidente, ao ouvi-lo, que a formação de músico de jazz contribui para esse resultado e que lhe permitiu uma apropriação ou uma audição específica da música feita aqui no Brasil que com isso se engrandeceu.

Fonte de pesquisas: Blog Vermute com amendoim/


Tendo a oportunidade de assistir ao show de Nicolas Krassik e os Cordestinos, fiquei maravilhada com a presença da música nordestina junto a um som tão clássico e terno.

A partir deste dia, nasceu uma admiração e um interesse cada vez maior, sobretudo quando percebi da parte dele, o respeito e o carinho por nossa cultura e em especial, a do nordeste; que é a que eu me identifico e me sinto.

E para terminar de forma honrosa, o Nicolas me concedeu algumas respostas através do contato pelo Orkut e por e-mail, em que as registro no meu portfólio.


Entrevista

Mayrles: Como foi tomar a decisão de deixar tudo na França e vir para cá? Qual análise você faz da sua vida e sua carreira: “antes e depois” de chegar ao Brasil?

Nicolas: A decisão de vir pra cá "passar um tempo", surgiu depois de umas férias que eu passei no Brasil no carnaval do ano 2000.

Eu acho que o fato do carnaval ser um momento muito específico na cultura Brasileira, me deu vontade de voltar, pra conhecer um Brasil mais "normal", conhecer o dia a dia daqui...

Eu escolhi o Rio, por que eu tinha uma lembrança muito boa da cidade, e por que muita gente me aconselhou...

A minha decisão de deixar tudo na França veio uns 2 meses depois, eu amei o que eu descobri na época, Choro, Samba e Forró...

Estava tendo um movimento musical muito interessante na Lapa, foi muito decisivo...

Antes do Brasil, eu tocava violino "Jazz", gostava de improvisar, já tinha desistido do mundo erudito, mas não encontrava o meu universo musical.

Depois de chegar ao Brasil, isso mudou, eu tive total certeza da música que eu queria tocar, coisa fundamental, eu acho, para um músico...


Mayrles: Hoje, “oito anos morando no Brasil, abandonando o sotaque francês, tendo gravado três discos aqui”; que palavra ou frase define a sua relação com a música e a cultura brasileira em si?

Nicolas: É uma relação de amor, eu vivo pra música, é a única coisa que eu saiba fazer e a música Brasileira não para de me dar vontade de tocar, é muito intenso. Eu acho que eu tinha perdido um pouco essa energia, quando eu morava na França...

Mayrles: Todas as matérias que li a respeito do seu trabalho, foram notáveis o entusiasmo que você tem pelos ritmos nordestinos (baião, xote, forró). Quais as suas referências destes gêneros? Gostaria que você falasse mais um pouco “desta atração” e como foi que aconteceu?

Nicolas: Eu sou apaixonado pelos ritmos nordestinos, Baião, Forró, Xote, Xaxado, Maracatu, etc...

Eu descobri isso com Gilberto Gil, no disco "Eu, tu e eles".

Quando eu voltei das minhas férias no Brasil, eu comprei esse Cd no aeroporto, não parei de escutar até voltar no Brasil, foi a trilha dos meus preparativos pra vir pra cá...rs

Foi nesse Cd que eu conheci o Luiz Gonzaga, por exemplo...

As minhas referencias nesse gênero, são Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca, Camarão, Nóbrega, Luis Paixão, Nelson da Rabeca...

Mestre Ambrósio e Lenine também...

O ritmo Nordestino é um ritmo com qual eu me identifico muito, além de ser algo mais próximo da minha cultura, ritmicamente e harmonicamente, tem o fato do violino ser um instrumento muito próximo da Sanfona e da Rabeca, instrumentos essenciais na música Nordestina...

Mayrles: E o que podemos esperar do seu próximo disco?

Nicolas: O meu próximo Cd já está saindo, em Novembro, já deve estar nas lojas...

Ele não tem nada a ver com o Nordeste, fugi um pouco...rs

É uma homenagem, que eu quis fazer ao João Bosco.

Ele que foi o primeiro artista Brasileiro que eu descobri na França.

Eu me apaixonei pela música dele, comecei até a aprender a tocar violão, baseado nas levadas dele...

Eu posso dizer que ele é o principal responsável pela minha vinda pro Brasil.

No Cd, só tem músicas dele, é um disco bem diferente do que eu venho fazendo, não tem percussão, é uma proposta mais intimista...

Ele cantou 2 músicas, "Da África a Sapucaí" e "Odilê, odilá", que deu o nome ao CD...

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